[Entrevista] Editora Dame Blanche: um novo fôlego para a literatura especulativa nacional

No começo desta semana, os autores nacionais receberam uma maravilhosa notícia: o nascimento da Editora Dame Blanche – fundada por Clara Madrigano e Anna Fagundes Martino (contando com o suporte canino do estagiário River). Focada em literatura especulativa, a Dame Blanche deseja abrir espaço para obras com protagonistas surpreendentes e narrativas representativas que abram espaço para um novo tipo de ficção especulativa – uma menos limitada pelos padrões atuais. Como elas próprias falam no site da editora:

Queremos protagonistas que nos surpreendam, que nos cativem, que mostrem todo o potencial da ficção fantástica. Queremos feministas, heroínas que não esperem por um herói que as salve. Estamos à procura de talentos como Charlie Jane Anders, Nnedi Okorafor, Seanan McGuire, Maria Dahvana Hadley, Kat Howard, Helen Oyeyemi, Ken Liu, N. K. Jemisin.

Assim que soube da Dame Blanche corri para entrevistar as fundadoras, que foram bastante solícitas em me atender. Acompanhe o meu papo com a Clara e a Anna e saiba mais um pouco sobre a editora.

Leia mais...

[Artigo] Fale a eles da minha esperança

“Se a tortura parasse agora, eu poderia me recuperar… se não a aparência, pelo menos minha energia e minha kes. Outra semana… ou talvez cinco dias… ou mesmo três… e será tarde demais. Mesmo que a tortura pare, vou morrer. E você vai morrer também, pois quando o amor abandona o mundo, todos os corações se calam. Fale a eles do meu amor, fale a eles da minha dor e fale da minha esperança, que ainda vive. Pois isto é tudo que tenho, tudo que sou e tudo que peço.”

O trecho acima, retirado do último volume de A Torre Negra (Stephen King) me pegou desprevenida, precariamente equilibrada no vagão de um trem a caminho do trabalho, sufocada não apenas pelo excesso de pessoas ao redor, mas pelos meus próprios pensamentos – boa parte deles voltado àquela promessinha de começo de ano: a de que em 2016 iria seguir em frente, a qualquer custo, com meu desejo de ser uma escritora profissional. Passada quase uma quinzena, eu continuava com os mesmos rascunhos inacabados; as mesmas ideias que se avolumavam e ficavam represadas até partirem novamente para aquele cantinho em nossa cabeça para onde vão as ideias quando querem ser esquecidas.

Leia mais...

[Artigo] Representatividade e Inclusão na Literatura

Responda rápido: dos três últimos livros que você leu, quantos dos personagens cruciais para o desenvolvimento da trama eram negros? Quantos eram mulheres, homossexuais, bissexuais, transsexuais? Quantos eram portadores de alguma deficiência física? Agora mude o foco: dos três últimos livros que você leu, quantos autores se encaixam em algum dos grupos listados acima? A menos que você seja um leitor voraz, extremamente eclético e com uma lista de leitura peculiar, é possível que nenhuma das suas últimas leituras preencha esse perfil. Talvez uma, no máximo. Qual seria o motivo? Eu respondo: nos falta representatividade

Leia mais...