[Resenha] Lobo de Rua – São Paulo revelada

“O registro da desgraça eterna do menino não podia ser mais apropriado: manchando sua cama improvisada, a lágrima de sangue simbolizava, ao mesmo tempo, o desamparo de seu presente e a maldição que o aguardava no futuro.”

Em um canto qualquer nas ruas de São Paulo, um garoto de rua sofre. Está doente e sente dores. Pessoas passam por ele sem percebê-lo – ele é invisível. Um indigente. Para quem conhece a rotina paulista – ou de qualquer outra grande capital – a cena é quase corriqueira. E é em cima dessa aparência de coisa comum que a autora Janayna Bianchi Pin molda o universo de Lobo de Rua. A história gira em torno de Raul – um garoto de rua como muitos que você já viu por aí – que descobre sofrer de uma terrível maldição: a licantropia. Exatamente: Raul é um lobisomem.

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[Artigo] Fale a eles da minha esperança

“Se a tortura parasse agora, eu poderia me recuperar… se não a aparência, pelo menos minha energia e minha kes. Outra semana… ou talvez cinco dias… ou mesmo três… e será tarde demais. Mesmo que a tortura pare, vou morrer. E você vai morrer também, pois quando o amor abandona o mundo, todos os corações se calam. Fale a eles do meu amor, fale a eles da minha dor e fale da minha esperança, que ainda vive. Pois isto é tudo que tenho, tudo que sou e tudo que peço.”

O trecho acima, retirado do último volume de A Torre Negra (Stephen King) me pegou desprevenida, precariamente equilibrada no vagão de um trem a caminho do trabalho, sufocada não apenas pelo excesso de pessoas ao redor, mas pelos meus próprios pensamentos – boa parte deles voltado àquela promessinha de começo de ano: a de que em 2016 iria seguir em frente, a qualquer custo, com meu desejo de ser uma escritora profissional. Passada quase uma quinzena, eu continuava com os mesmos rascunhos inacabados; as mesmas ideias que se avolumavam e ficavam represadas até partirem novamente para aquele cantinho em nossa cabeça para onde vão as ideias quando querem ser esquecidas.

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[Artigo] Um pistoleiro negro incomoda muita gente

Essa semana, os fãs da saga A Torre Negra – uma das principais obras de Stephen King – receberam a notícia de que o ator Idris Elba era o favorito da Sony para encarnar o pistoleiro Roland de Gilead, protagonista da história. E isso foi o suficiente para que uma onda de chorume invadisse a internet. Explico: Roland é um personagem inspirado em Clint Eastwood – portanto, branco de olhos azuis no melhor estilo galã. Já Idris Elba é negro. E isso não agradou em nada boa parte do público.

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[Artigo] Mulheres, Literatura e apagamento

Na semana passada uma das páginas que acompanho postou uma chamada questionando seus seguidores sobre quantos autores de fantasia nacional eles leram. A proposta – muitíssimo válida – me chamou a atenção por dois motivos. O primeiro deles, o crescimento do mercado de fantasia nacional, cuja qualidade e visibilidade aumentam gradativamente – para nossa alegria! O segundo – e que serviu de mote para esse post – foi a imagem da chamada, com a foto de doze autores nacionais: havia apenas uma mulher. Uma entre doze.

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[Artigo] Representatividade e Inclusão na Literatura

Responda rápido: dos três últimos livros que você leu, quantos dos personagens cruciais para o desenvolvimento da trama eram negros? Quantos eram mulheres, homossexuais, bissexuais, transsexuais? Quantos eram portadores de alguma deficiência física? Agora mude o foco: dos três últimos livros que você leu, quantos autores se encaixam em algum dos grupos listados acima? A menos que você seja um leitor voraz, extremamente eclético e com uma lista de leitura peculiar, é possível que nenhuma das suas últimas leituras preencha esse perfil. Talvez uma, no máximo. Qual seria o motivo? Eu respondo: nos falta representatividade

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[Artigo] As mulheres no mercado literário

Ontem participei de um evento organizado pela Editora Com-Arte, a editora laboratório do curso de Editoração da USP. O evento “Anônimas: Mulheres na Literatura e no Mercado Editorial” teve como mediadora a Clara Browne, editora da revista Capitolina e contou com a presença da Jarid Arraes (cordelista e autora do livro “As lendas de Dandara”), da Julia Bussius (editora da Companhia das Letras) e da Laura Folgueira (Editora Kayá). O auditório estava lotado: várias mulheres (e homens também!) procurando entender o espaço da mulher no mercado editorial e literário.

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Levando a sério

“Eu escrevo porque é o meu trabalho. Foi assim que uma das escritoras que mais admiro atualmente me fez acordar para a vida, parar de levar tudo como uma mera brincadeira de criança que pode ser iniciada e encerrada a qualquer momento e me debruçar sobre o ofício com a seriedade que lhe é de direito.

 

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