[#NaNoDicas] Entrevista com Thiago D’Evecque

Com duas noveletas publicadas – a mais recente delas lançada em agosto deste ano – Thiago D’Evecque é um dos melhores escritores nacionais que temos na atualidade – no que vale a minha opinião. Limbo, sua primeira noveleta, foi escrita durante uma NaNoWriMo. Hoje ele divide conosco um pouco dessa experiência, e deixa dicas para quem precisa de incentivo durante essa NaNo 2017. Confira:

Literatividade: Como surgiu a ideia da sua história: ela já existia antes da NaNoWriMo ou foi construída ao longo do evento?

Thiago D’Evecque: Eu tive a ideia para Limbo alguns meses antes do Nano. Fui juntando as peças aos poucos, e quando novembro chegou eu tinha boa parte do livro planejado. Durante a escrita muita coisa acaba mudando, é inevitável (o final planejado era completamente diferente), então existe muita construção durante o evento, também.

L: Por que participar da NaNoWriMo? Ela traz algum tipo de vantagem?

TD: Pra mim foi a motivação de ver tanta gente reunida com um objetivo em comum. Ficar conversando ou somente vendo as postagens nos fóruns me enchia de vontade de continuar minha história. O deadline também ajuda bastante, aliado a um objetivo específico (1667 palavras por dia, durante 30 dias).

L: Fala um pouco sobre a sua rotina de escrita durante a NaNo.

TD: Eu tirei férias do meu trabalho e consegui me dedicar 100% ao Nano. Eu começava o dia tomando café e lendo não-ficção (livros sobre escrita, geralmente) e partindo em seguida para o manuscrito. Eu só parava de escrever quando alcançava a meta ou chegava no meu limite interno. Tem uma hora que os miolos estão fritando e é preciso dar o dia por encerrado.

Alguns dias eram mais fáceis que outros e eu superava a meta facilmente. Em outros eu não conseguia alcançá-la. De qualquer forma, no final do dia eu planejava o que escrevia no próximo.

 

L: Quais as principais dificuldades você enfrentou durante o evento?

TD: Pra mim foi me acostumar com a rotina mesmo. Pra quem não tinha o hábito de escrever, o pulo de quase 2 mil palavras por dia foi cansativo. Eu terminei o Nano completamente esgotado mentalmente.

É uma ótima experiência, mas meu principal aprendizado foi não forçar uma meta dessas pra mim. Não é assim que funciono.

Aprendi a manter o hábito de escrever todos os dias o máximo que eu puder, e isso pra mim foi o mais valioso.

L: Recebeu algum tipo de apoio? Se sim, de quem? Foi importante?

TD: Minha namorada me incentivou muito, sempre incentiva em qualquer coisa que eu faça, e isso é maravilhoso. Mas fora isso, eu mantive o projeto mais pessoal.

L: E como foi o processo pós NaNo?

TD: Como eu disse antes, eu fiquei esgotado. Foi uma experiência incrível, mas depois que acabou, eu fiquei um bom tempo sem escrever, recuperando as feridas. Depois voltei aos poucos, mantendo o hábito, mas sem a meta específica do Nano que é cansativa demais (pra mim, é claro – tem pessoas que escrevem isso antes mesmo de saírem da cama).

L: Que tipos de cuidado você tomou para transformar o seu projeto da NaNoWriMo em um livro pronto para publicação?

TD: Paciência acho que foi fundamental. Escrevi Limbo no Nano de 2014 e só publiquei em julho de 2015. Deixei o manuscrito descansar e voltei para ele depois de um mÊs para editar a bagunça. Também contratei uma capista e uma revisora, o que é indispensável para a qualidade da publicação. Eu tratei todo o processo como imagino que um profissional faria.

L: Você acha que dá para publicar um projeto recém-concluído na NaNoWriMo? Por quê?

TD: Sim, mas não sou especialista nessa área de edição e publicação. Acho que vai muito do bom senso do autor. Ele precisa de distanciar emocionalmente da obra, avaliar a qualidade do manuscrito e determinar o que está faltando nele. Nenhum projeto sai do Nano perfeito. Basta ter paciência e dedicação para lapidar o que foi construído.

L: Sobre a publicação: fala um pouco sobre a sua decisão por publicar e as etapas do processo.

TD: Eu decidi publicar independentemente pela Amazon. Editei o manuscrito terminado, contratei uma capista, contratei uma revisora, mostrei pra minha namorada (que foi minha única leitora beta), diagramei e publiquei. Não teve muito mistério no meu caso, foi bem simples.

L: Como você lidou com o retorno dos leitores? Acha que esse feedback te ajudou a melhorar como autor?

O feedback foi importante principalmente para eu continuar a escrever. O retorno do público me mostrou que tem um monte de gente afim de ler as minhas histórias, e essa foi a melhor parte de tudo.

Sobre me tornar um escritor melhor, eu diria que sim e não. O retorno que o leitor deixa vai ser sempre pessoal e não quer dizer necessariamente que existe algo de errado com a sua história ou com a sua escrita. O que um diz que não gostou pode ser o ponto favorito de outro. É claro que, quando várias opiniões se repetem, talvez você precise levá-las a sério. Acho que isso parece arrogante, mas opinião é sempre subjetiva, e o que um leitor odeia pode ser o que você mais ama escrever, e não acho que você deveria mudar seu gosto para agradar uma ou outra pessoa.

Feedback é fundamental e sempre bem-vindo, mas também é importante separar gosto de análise crítica.

L: Que dicas você daria para os participantes da NaNoWriMo 2017?

TD: A coisa mais fácil do mundo é escrever por uma semana e depois desistir porque teve outra ideia linda e genial. Toda ideia é linda e genial quando ela só existe na nossa cabeça e não precisamos trabalhar para vê-la concluída.

Por isso, vá até o fim. Termine o que começar, mesmo que pareça o pior trabalho do mundo. Somos nossos piores críticos, e nada é tão ruim quanto na nossa cabeça. Desistir das histórias pela metade acaba se tornando um hábito. Não há consequências, porque só você se cobra, e aí você consegue dar um jeitinho de se seduzir e se convencer de que não faz mal.

Termine suas histórias. Nada vai te ensinar tanto sobre escrever, sobre personagens, sobre estrutura, sobre conflito, sobre um monte de coisa quanto chegar até o fim do seu romance. E o mais importante, vai te ensinar e incentivar a terminar mais coisas.

L: Agora aproveita e faz o seu jabá! 🙂

TD: Limbo tá disponível lá na Amazon nas versões física e digital, pelo link: bit.ly/limbotd. O livro fala sobre um espírito que acorda no Limbo para enviar 12 almas heroicas de volta à Terra e evitar o apocalipse. Na busca por essas almas – figuras mitológicas e lendárias que representam uma qualidade necessária para salvar o mundo -, o espírito acaba descobrindo segredos sobre sua tarefa, seu passado e, principalmente, sobre si mesmo.

Também lancei recentemente o livro Promessa de Fogo (bit.ly/abismo1), o início de uma série chamada Abismo. Quando sua vida é reduzida a fumaça, cinzas e sangue, Alicia é tomada por uma sede que exige morte para se saciar. Em um mundo com dinossauros, demônios, golens e necromancia, ela busca vingança enquanto tenta manter a própria humanidade.

Gostaram da entrevista, NaNoNovelistas? E como está sendo a experiência de vocês nessa NaNo? Divide comigo aqui nos comentários 😉

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