[Entrevista] Trasgo Impressa Ano 1 – Conheça e apoie

Com três anos de existência e publicação trimestral, a revista Trasgo é hoje o principal veículo de divulgação de novos autores no Brasil. Idealizada por Rodrigo van Kampen, a revista aposta nos gêneros fantasia e ficção científica e já construiu um público cativo ao longo de suas 13 edições. Hoje, o desafio é lançar a primeira tiragem impressa da Trasgo. Para alcançar esse objetivo, os idealizadores optaram por um financiamento coletivo via Catarse. Caso atinja a meta, a primeira edição impressa contará com 26 contos retirados das edições 1 a 4 da Trasgo mais três contos inéditos. Confira a nossa entrevista com o Rodrigo e saiba mais sobre o projeto.

Literatividade: Atualmente, a Trasgo é a melhor referência nacional em ficção especulativa. Para quem ainda não conhece a revista, fala um pouco sobre ela.

Rodrigo van Kampen: A Trasgo é uma revista de contos de ficção científica e fantasia, no ar há quatro anos. Já lançamos 13 edições com autoras variadas, entre estreantes e conhecidas. A revista é publicada trimestralmente sempre com seis contos e distribuída em epub, mobi e pdf pelo próprio site da revista.

L: Como surgiu a ideia de criar a Trasgo?

RVK: Nós temos lá fora diversas revistas de ficção especulativa, como a Lightspeed, Asimov, Tor.com, e várias outras, que são a descendência direta das antigas revistas pulp, publicadas desde os anos 40. No Brasil nós tivemos algumas experiências no formato nos anos 80, mas pelo próprio custo de impressão, não foi para a frente.

Como percebi que mesmo com a possibilidade de criar uma revista digital, com um custo mais baixo, pouca gente estava se aventurando no assunto, e menos ainda com uma proposta periódica, resolvi me aventurar. Em outras palavras, eu queria espaço para publicação de contos de FC e Fantasia, pelos quais sou apaixonado.

L: Como editor, quais os maiores desafios durante o desenvolvimento de um novo número da Trasgo?

RVK: O grande desafio, sem dúvida, é a escolha dos contos. Nós recebemos muito material. Então precisamos fazer uma boa avaliação de tudo o que temos, para separar os melhores. Feito isso, nós buscamos um certo equilíbrio de temáticas em cada edição, sem puxar muito para a fantasia ou para a FC, o que faz com que as escolhas fiquem ainda mais difíceis. Depois tem todo o processo de leitura crítica, revisão, montar a revista e publicar, o que é um processo bastante trabalhoso.

L: Você consegue orientar todos os autores que enviam materiais ou apenas os selecionados? Como funcionam essas orientações?

RVK: Como recebemos um grande volume de contos, nós só conseguimos orientar as obras aprovadas. Às vezes, quando lemos algo que gostamos, mas que por um motivo ou outro acabou não entrando, nós damos um feedback à autora. Mas não é sempre.

L: A partir da sua visão como editor, como você enxerga o futuro da ficção especulativa no Brasil?

RVK: Acho que estamos em uma fase boa, com vários nomes novos despontando. E temos uma nova geração de escritoras ganhando caminho dentro das editoras, como é o caso da Roberta Spindler e Bárbara Morais, por exemplo.

A FC sempre foi um gênero com boas vendas lá fora, mas acreditava-se que não caía no gosto do brasileiro. As boas tiragens das edições da Aleph, ou dos romances YA (que são, em sua maioria, ficção especulativa) apontam um cenário otimista dentro do gênero.

L: Sobre a edição impressa da Trasgo, o que podemos esperar? Você já tem ideia de como ela será, visualmente falando?

RVK: Sim, nós temos uma capa, ilustrada por Kelly Santos, e um miolo, diagramado por Mary C. Muller. Será um calhamaço de mais de 350 páginas, que incluirá todos os contos publicados nas quatro primeiras edições, além de três contos extras especiais, escritos por nossa equipe. Esse livro está arrecadando fundos no Catarse para existir, então nós precisamos mesmo de toda ajuda possível.

L: Além do apoio ao projeto no Catarse, de que outras formas as pessoas podem ajudar a Trasgo?

RVK: A melhor forma é contribuir mensalmente com a revista pelo Padrim da TrasgoMesmo um valor pequeno, de R$ 1,00 por mês, ajuda muito a gente a continuar trabalhando na revista, a pagar autoras, ilustradoras, revisão, enfim.

Algumas pessoas entram em contato oferecendo para ajudar com edição, revisão… Nós ficamos muito felizes com esse retorno, mas hoje não conseguimos encaixar mais pessoas no nosso processo sem que isso mais atrapalhe que ajude. E como nós queremos ser uma revista profissional, que paga todos os envolvidos, também não achamos justo aceitar sem remunerar adequadamente.

No entanto, se tem algo que ajuda demais desde o começo é o boca a boca. A melhor forma de ajudar é apresentando a revista a uma amiga que ainda não conhece a proposta, alguma autora que pode se interessar pelos contos, ou para mandar material para a gente avaliar. Cada compartilhamento é importantíssimo nessa caminhada. Desde o começo nós nunca “explodimos”, mas fomos crescendo sempre devagarzinho, uma nova leitora de cada vez. As pessoas não fazem ideia de como mostrar a Trasgo às pessoas nos ajuda.

L: Sinta-se livre para fazer o seu jabá 😉

RVK: Quero agradecer bastante a oportunidade dessa entrevista e deixar aqui os canais para conhecer a revista. O melhor canal é nosso próprio siteTambém fazemos uma bagunça no Twitter e Facebook. Por fim, temos aí algumas semanas para conseguir viabilizar a primeira edição impressa da revista, a Trasgo – Ano 1. É a chance de ter em mãos uma versão física da revista (possivelmente a única chance, já que talvez a tiragem se limite aos que comprarem no Catarse). Entra lá no Catarse e ajuda a gente! 😀

Obrigado e abraços!

Gostou? Então que tal ajudar a viabilizar o Ano 1 da Trasgo Impressa. Com R$ 10,00 você já consegue dar uma força ao projeto. Mas se não puder ajudar financeiramente, fale com sua família e amigos sobre a revista e espalhe nas suas redes sociais essa entrevista. Toda forma de apoio é bem-vinda.

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