[Resenha] Os Órfãos de Deus

Após a violenta morte de seus pais, Alice é levada pela polícia ao orfanato Órfãos de Deus. Ao ver a criança e sua natureza tranquila e pura, a freira Mariana é impelida a impedir que a menina se junte aos demais órfãos, pois teme por sua segurança. Ela sabe que naquele orfanato, uma menina frágil não teria vez ao lado das outras crianças, todas marcadas por episódios de violência doméstica. É assim que Victor F. Miranda nos apresenta “Os Órfãos de Deus”.

Fui apresentada ao livro do Victor no ano passado, após o podcast “As Armadilhas Editoriais” de que participei junto com a patota do Leitor Cabuloso. A leitura foi rápida e intensa. Depois de “Os Órfãos de Deus” li “Menina Má” do William March. Não sei se o Victor se inspirou na obra do March, mas há muitos elementos em comum entre os dois livros.

Ao contrário do que eu esperava, o autor não utiliza argumentos sobrenaturais para explicar o que acontece com as crianças no orfanato. Ponto mais que positivo para ele! Somos confrontados com a capacidade humana para a violência por meio da perversão infantil. E, embora seja difícil imaginar crianças cometendo atos bárbaros (para mim é bastante, mesmo sendo fã de Stephen King), Victor não perde a mão em nos lembrar constantemente que é isso mesmo que está acontecendo. Derramar sangue e pedir colo são duas atitudes que podem subsistir sem problemas entre elas.

Calma, jovem!

Ao mesmo tempo, fiquei um pouco incomodada com situações absurdas demais para serem feitas por crianças. Não no sentido psicológico, mas no sentido de força física mesmo. Em momentos me peguei pensando: “Não daria para um moleque tão pequeno fazer algo assim!” Isso me incomodou bastante e quebrou um pouco da experiência de imersão na história.

Um ponto que pode ser melhorado é o desenvolvimento da personalidade dos personagens. A proximidade da freira Mariana com a Alice me pareceu meio forçada e desproporcional, por exemplo. Acho que com um pouco mais de background, principalmente para a freira Mariana – seu passado e suas motivações – a trama ficaria perfeita. Mas não falta talento ao autor para fazer isso. Pedro, uma das crianças do orfanato e meu personagem favorito, foi muitíssimo bem construído por meio de pequenas dicas e arcos narrativos bem fechados para o personagem. O resultado é que, não importa o que ele faça, suas atitudes fazem muito sentido.

O autor me fez uma pergunta quando terminei a leitura que achei muito relevante e que repasso a vocês: com esse breve resumo da história, quantos crianças negras você imaginou no orfanato? Fica o questionamento 😉

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