[Entrevista] Apoie Estações de Caça

Ouça quatro canções, quatro vidas e quatro estações da época em que os deuses andavam sobre a terra.

Estações de Caça é o novo projeto de Lauro Kociuba, autor de A Liga dos Artesões. Ambientando no Reino Unido do século X, a história acompanha o protagonista Haakon em um paralelo às estações do ano – cada fase representando um novo aprendizado em sua vida. Embora o livro faça parte do Universo Alvores, a obra é independente – não exigindo a leitura de nenhum conto ou livro anteriores. Atualmente, o projeto está disponível para apoio no Catarse. A meta é arrecadar R$ 12.780 até 04/08. O valor será utilizado para custear as despesas com gráfica, recompensas, ilustrações, etc. Tudo muito bem explicadinho lá no espaço do projeto.

Eu já falei das ilustrações?! O Lauro convidou a escritora e ilustradora Kaori Bruna para cuidar das ilustrações da obra! O resultado é belíssimo e vou deixar aqui a minha favorita para vocês sentirem o gostinho.

É possível contribuir com valores a partir de R$ 10,00 e as recompensas vão desde uma versão digital do livro (em PDF, MOBI ou EPUB) até um conto exclusivo com pelo menos 2000 palavras feito especialmente para você. E eu nem vou falar da versão física do livro com aqueles desenhos incríveis. Nem do colar de lobo! Não vou falar!

Ainda não está convencido?! Então saca só o que o Thiago D’Evecque, autor de Limbo, fala sobre a amostra do livro, disponível na Amazon:

Achei o enredo de Haakon ainda mais interessante e envolvente que seu antecessor. É algo particular, mas prefiro ambientações medievais a modernas. E que ambientação maravilhosa — a história nos joga para a cultura viking do século X, com diversos elementos mitológicos, com deuses, a Caçada Selvagem, valquírias e o Valhalla, além da marca registrada do Lauro: elfos e criaturas fantásticas. O autor ainda usou um recurso de storytelling bem ousado, ainda que sutil (a ficha só caiu depois que conversei com ele). Funcionou. Foi algo que me fez voltar várias passagens para ver com mais detalhes, e fiquei impressionado.

Se você ainda está indeciso sobre apoiar ou não o projeto, acompanhe a entrevista que fiz com o autor:

Literatividade: Fala um pouquinho sobre você para a galera te conhecer melhor.

Lauro Kociuba: Bom, meu nome é Lauro, tenho 31 anos, marido da Yara, pai do Ulisses, canceriano, bancário, e escritor independente de fantasia. Sou apaixonado por todo tipo de fantasia, com toques especiais para narrativas melodiosas e cheias de sinestesia, tipo Gaiman, Rothfuss, King, Lynch, Pratchett e tals.

L: Há quanto tempo você escreve? O que te levou a ser escritor?

LK: Infelizmente eu quebro as expectativas das pessoas nessa primeira resposta. A Liga dos Artesãos foi meu primeiro livro E a minha primeira tentativa de escrever algo. Comecei-o como uma promessa de ano novo, exatamente no dia 01/01/2014, então eu sou escritor há quase dois anos e meio. Agora, o que me levou a ser escritor já pode se estender um pouco mais. Meu primeiro contato com a literatura fantástica foi Tolkien, antes disso eu já tinha lido Machado de Assis, Álvaro de Azevedo, Dalton Trevisan, Kafka (um professor maluco fez a gente ler metamorfose com 10 anos, talvez isso explique um pouco, ou não, sei lá), mas quando eu tinha 12 anos eu ganhei de natal O Senhor dos Anéis, volume único do Gandalf na capa. Surtei e li em 7 dias o volume todo. Depois disso comecei a ser um viciado, fui pra Gaiman e descobri o realismo fantástico, depois peguei drogas mais pesadas como Pratchett e Douglas Adams, usei Pullman, King… e então descobri o RPG. Dali foi morro abaixo. GURPS, D&D, Vampiro – A Máscara, Lobisomem, Magos, 3D&T, até algumas campanhas de Tormenta. E o mais louco é que aprendi a jogar sozinho, eu encontrei o livro na livraria, comprei. Li, achei fantástico, li de novo e de novo, então me senti seguro, reuni minha irmã, 2 primos e 2 amigos e ensinei pra eles o básico. Então comecei a mestrar, criar minhas histórias malucas e improvisando muito madrugadas a dentro. Mas, nunca escrevi nada. O tempo passou, tive que me mudar, trabalhar, faculdade e puf, parei de jogar. Casei com a Yara (<3) e depois nos mudamos e veio o filho, Ulisses (<3 <3), acho que foi aqui que eu decidi escrever. Láááá, quando li Gaiman, eu tive um insight sobre uma história, talvez pela influência do D&D e Tolkien, claro: nosso mundo real (Gaiman forte aqui), mas com criaturas fantásticas (elfos, anões, dragões, e tudo mais! Saci, boto, gnomo… inclusive todos os deuses de todas as mitologias) sobrevivendo escondidas entre os homens. Mas acabei deixando a ideia dormente. Então, com o filho no colo, eu descobri algo que – para mim – foi inovador: O Nome do Vento, do Patrick Rothfuss. Uma narrativa melodiosa, linda, envolvente e arrebatadora. A história nem é tão boa, nem os personagens (tá, o sistema de magia e o monetário são fantásticos), mas a narrativa é sublime. Isso, junto com a emoção da paternidade e o plantio de uma muda de árvore me fizeram escrever essa história. Então fiz uma promessa de ano novo e pronto, aqui estou. 🙂

L: “Estações de Caça” é ambientado no universo Alvores. Explica um pouco desse universo para quem ainda não conhece suas outras obras.

LK: Eu dei um spoiler de leve ali em cima, mas acho que não tem problema. Bom, eu parto da ideia de que todas as criaturas fantásticas, lendas, mitos e tudo mais são muito mais reais do que se acredita. Existiram muitos elfos, anões, sacis, orcs, curupira, lobisomens, vampiros, além de Odin, Tuathas de Dannan, Ogum, Ísis, todas as divindades ou reflexos delas no nosso mundo também. Eu pego toda essa mistura, que era muito muito muito presente no início dos tempos (na alvorada do mundo – alvorada~Alvores) e coloco-os em decadência com a ascensão dos homens, tendo de fazê-los se esconder e sobreviver à nossa realidade. Ao mesmo tempo, eu trabalho com eventos históricos nossos e recrio alguns pontos, preenchendo lacunas com acontecimentos fantásticos que embasam e reforçam a mistura da fantasia com a realidade. E, com esse universo misturado e caótico, eu seleciono alguns pedaços de tempo e lugar para contar as minhas histórias. O primeiro livro – A Liga dos Artesãos – é na Curitiba dos dias atuais, Estações de Caça é num vilarejo nórdico no século X, Promessas Antigas é em São Paulo há poucos anos, tenho alguns contos que são na época do descobrimento… e por aí vai.

L: Conta um pouquinho sobre Haakon, protagonista de “Estações de Caça”.

LK: É difícil para mim. Muito. Quem já leu vai – no mínimo – concordar comigo. É um garoto, conhecemos ele no primeiro capítulo, que é quando ele nasce. Isso aí, é o parto de Ellia para trazer Haakon ao mundo. Depois vemos ele bem jovem, com 5 anos, depois com 9 e por último aos 12 anos. Em cada um dos momentos há um fato decisivo que acaba por moldar o personagem e o futuro dele, a história é sobre o crescimento com situações externas à nós e a nossa capacidade de adaptação e sobrevivência. Em sua pequena jornada, passamos pela Yggdrasil e as Nornas, por espadas lendárias Celtas, os Tuatha, elfos, bardos, deuses esquecidos e algumas pessoas, e ele continua sendo um garoto no meio disso tudo. É um pouco disso que tento abordar no livro, a infância – e o fim dela.

L: A história de “Estações de Caça” é ambienta em um vilarejo do Reino Unido no século X. Como foi o processo de trabalhar com essa ambientação?

LK: Diferente. É engraçado porque foi algo meio natural. No final de 2014, eu estava com o Liga terminado e fui convidado para escrever um conto, para uma antologia natalina. Eu gosto de tentar sempre sair do comum, então fui pesquisar algumas origens de lendas e tals e me encantei com a “Caçada Selvagem”, que – em uma das suas várias vertentes – traz o Grande Caçador como Odin, barbudo, no céu durante o solstício na noite de Yule. Resolvi escrever um conto sobre um garoto que vê essa Caçada. O conto de três páginas aumentou para seis, ganhou dois atos irmãos – que se tornaram três capítulos do inverno, depois pensei “escrevi o inverno, por que não falar das outras estações?” e a história foi aumentando até se tornar uma história. A ambientação foi construída naturalmente também, é um livro mais intimista, então não haverá tanta geografia assim, mas a pesquisa foi feita e não há nenhum absurdo histórico-geográfico. Até onde sei. Hahahaha.

L: Por que a escolha pelo Catarse para tocar o projeto?

LK: Um pouco pela dificuldade do mercado editorial, que eu imaginava e tinha noção. E também pela questão de formação de um público, com o apoio à uma ideia sua, junto com o engajamento que a campanha exige, culminando na sensação de vitória geral. Eu sempre amei essa ideia, e fiquei feliz por conseguir realizar isso no primeiro livro, e ainda estou na parte do sofrimento e divulgação maciça do segundo. Hahahahaha

L: Como autor independente, como você enxerga o mercado literário nacional? Quais são, para você, as principais vantagens e desvantagens de publicar um livro sem apoio de editoras.

LK: Eu posso falar apenas sobre a parte da fantasia, que é o meu nicho. E é complicado, hahahaha. O gênero ainda é visto com certo preconceito em geral, como subliteratura, e – apesar da melhora recente – ainda é difícil ser visto com seriedade nesse meio. Além disso, pela tradição relativamente jovem da literatura fantástica nacional, os leitores têm preconceito, muitas vezes por experiências ruins, o que acaba por engessar o mercado. Então, para um escritor sem editora que dê suporte, é muito difícil se firmar. Mas tenho sido feliz e recebido vários feedbacks positivos, o que tem ajudado a tornar a batalha menos cansativa e mais recompensadora.

L: Hora de vender seu peixe: fique à vontade para falar mais sobre “Estações de Caça” e tocar o coração dos nossos leitores.

LK: Estações de Caça é uma fantasia medieval que fala sobre o nascimento e crescimento de um personagem no Reino Unido do século X, num vilarejo pequeno, acompanhando batalhas, rituais e a rotina Viking. Numa época em que criaturas fantásticas eram vistas com mais frequência na terra, e quando os deuses encontravam o caminho para caminhar entre nós, há muita pesquisa de mitologia nórdica, com passagens do texto no reino de Odin; além de lendas e mitos celtas, alvores e eslavos em geral. Uma fantasia intimista, que procura o épico em cada instante coitidiano. Não sei bem como fazer propaganda, mas espero que gostem, a aceitação tem sido ótima! Num resumo simples, tem paredes de escudos, lanças e espadas lendárias, parto, deuses, semi-deuses, criaturas fantásticas e muito mais. Ah, e não exige a leitura de nenhum texto meu anterior, é independente, apesar de se passar no mesmo universo e conter alguns pontos em comum.

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1 comentário

  1. Já li a primeira versão de “Estações de Caça” e gostei bastante. A segunda só pode estar ainda melhor (estou torcendo para a campanha dar certo, porque não vejo a hora de ter o livro físico ilustrado em mãos!)
    E achei legal seu blog ter voltado. Tenho visto os últimos posts e, embora não tenha comentado, achei o conteúdo bem legal!
    Abraço e parabéns por apoiar e divulgar um autor nacional!

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