[Artigo] Fale a eles da minha esperança

“Se a tortura parasse agora, eu poderia me recuperar… se não a aparência, pelo menos minha energia e minha kes. Outra semana… ou talvez cinco dias… ou mesmo três… e será tarde demais. Mesmo que a tortura pare, vou morrer. E você vai morrer também, pois quando o amor abandona o mundo, todos os corações se calam. Fale a eles do meu amor, fale a eles da minha dor e fale da minha esperança, que ainda vive. Pois isto é tudo que tenho, tudo que sou e tudo que peço.”

O trecho acima, retirado do último volume de A Torre Negra (Stephen King) me pegou desprevenida, precariamente equilibrada no vagão de um trem a caminho do trabalho, sufocada não apenas pelo excesso de pessoas ao redor, mas pelos meus próprios pensamentos – boa parte deles voltado àquela promessinha de começo de ano: a de que em 2016 iria seguir em frente, a qualquer custo, com meu desejo de ser uma escritora profissional. Passada quase uma quinzena, eu continuava com os mesmos rascunhos inacabados; as mesmas ideias que se avolumavam e ficavam represadas até partirem novamente para aquele cantinho em nossa cabeça para onde vão as ideias quando querem ser esquecidas.

E então veio ele – o mestre que nunca conheci, mas que esculpiu pacientemente o livro que hoje é meu norte – com uma mensagem: dos feixes de luz, de Gan, da Torre Negra. De todas a histórias que vivem em minha cabeça e em meu coração, aquelas que me recuso a parir, porque a gestação e o parto envolvem uma entrega, uma dedicação e uma coragem que, embora eu afirme ter, talvez no fundo não existam. Em A Torre Negra, Roland acusa Stephen King – seu criador – de ser preguiçoso. De preferir usar seu tempo com coisas agradáveis a gastá-lo com o que realmente importante. E há algo em mim – eu descobri – que é assim também. Afinal, um pupilo tende a se parecer com seu  mestre…

Mas eu não quero ser Stephen King. Não mais. Nem Terry Prachet, Virgínia Woolf, Douglas Adams ou Neil Gaiman. Não me entendam mal – eu os admiro e isso não vai mudar. E eu concordo com quem acredita que é preciso mirar alto. Ursula K. Le Guin nos aconselha quanto a isso, aliás. Acontece que eu descobri que o meu alto é um pouco mais “possível”. Meu alto são os escritores independentes que tenho acompanhado desde o final do ano passado, cujas obras – feitas com tanta dedicação e que exigem o dobro de determinação – me encantaram como há tempos eu não era encantada. Eu quero ser Jarid Arraes. Quero ser Aline Valek, Sybylla, Janayna Bianchi. Quero ser Lucas Kodiak, Rodrigo Mesquita, Ariel AyresEsses são os meus grandes agora – os que estão fazendo a diferença numa esfera mais próxima para mim. E quando eu pensar em quais autores eu não gostaria de desapontar deixando morrer a minha Torre Negra , os meus feixes de luz, eu também pensarei neles.

Esse texto, mais que um desabafo, é um aviso. Quando montei o Literatividade, não tinha a intenção de fazer resenhas. Os livros maravilhosos que eu lia já eram muito bem divulgados por blogs maiores do que esse, e eu tinha assuntos mais urgentes (ao menos parecem ser na minha cabeça) para tratar por aqui. Então passei a acompanhar a luta diária dos autores independentes para conquistar seu espaço e terem seus esforços reconhecidos. Decidi que, por menor que seja espaço, eu iria ajudá-los. Uma das metas para o Literatividade esse ano é resenhar o maior número possível de indies. Essas serão as resenhas do blog – e se não são do tipo que você gosta, basta pular a sessão.

Quanto a escrever, será minha meta pessoal. E fica meu agradecimento ao tweet de Alliah (responsável pelo maravilhoso curso Escreva Trans), que acabou me fazendo conhecer o Mega Maker, um projeto de Justin Jackson que nos convida a criar coisas. A deixarmos de ser consumidores para nos tornamos criadores. Ele criou para si uma lista com 100 objetivos a serem cumpridos durante 2016 e nos convida a fazer o mesmo. Você não precisa definir 100 coisas para criar – essa é a meta de Justin – mas que tal definir o que quer aprender/criar/construir esse ano? Para conhecer o The Maker’s Manifesto e entender melhor a proposta, clique aqui.

Outra novidade bacana, aliás, e que também chegou até mim durante essa semana, foi o desafio Escreva 2016, uma ideia bacanérrima feita pela Ágata Sousa em parceria com a Daniela Cavalcante. Quinzenalmente, elas irão definir um mote e darão duas semanas para que você conclua um conto baseado nele. As histórias poderão ser compartilhadas usando a hashtag #escreva2016. Saiba mais sobre o desafio clicando aqui.

Definidas as prioridades, vamos dar uma largada definitiva em 2016?! Afinal, essa história de que o ano só começa depois do Carnaval já está muito mainstream 😉

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